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Facebook aplica bloqueio de conteúdo de notícias na Austrália

Nos últimos anos a indústria de mídia australiana vem pedindo ao governo do país que Facebook e Google paguem diretamente aos editores de notícias locais pelo acesso para compartilhar seu conteúdo – e monetizar o conteúdo de notícias quando ele é compartilhado novamente em suas plataformas.

E uma proposta de lei está sendo formulada com base no relatório “Digital Platforms Inquiry” da Australian Competition and Consumer Commission, publicado em 2019, que destacou o domínio absoluto do Google e do Facebook no mercado digital local:

ACCC report

Em contrapartida, o Facebook anunciou, na quarta-feira, que restringiria os usuários da Austrália de compartilhar ou ver links de notícias da plataforma.

No mês passado o Google também ameaçou fechar seu mecanismo de busca no país caso a lei não seja alterada – mas foi o Facebook quem tomou a iniciativa.

Ontem, enquanto parlamentares do país debatiam a proposta legislativa para forçar plataformas de internet, principalmente os gigantes da publicidade, a pagar aos editores por links para seu conteúdo de notícias, o Facebook de fato censurou uma grande quantidade de páginas.

A ação derrubou uma lista de páginas do Facebook de editores não-noticiosos, bem como silenciou os meios de comunicação, numa amostragem do que se seguiria com a futura lei. Uma série de páginas locais também tiveram seus conteúdos eliminados – incluindo hospitais, universidades, sindicatos, departamentos governamentais e o departamento de meteorologia, etc.

Procurado para comentar, o Facebook confirmou que aplicou uma definição intencionalmente ampla de notícias para restringir – dizendo que fez isso para refletir a falta de orientação clara na lei, da forma como está redigida. A empresa sugeriu que essa foi uma tática de relações públicas para ilustrar as “consequências” potenciais dos legisladores os forçando a pagar para exibir certos tipos de conteúdo – ou seja, para encorajar um repensar enquanto há ainda tempo.

Os parlamentares do país acusaram a empresa de “ataque a uma nação soberana”, e o primeiro-ministro da Austrália também disse hoje que seu governo “não se intimidaria”.

O Facebook disse que vai reverter as páginas que foram “afetadas inadvertidamente”. Mas ainda não está claro quantas páginas que não são de notícias foram afetadas pelas restrições de conteúdo.

Sobre as páginas de notícias, as mudanças estão sendo implementadas gradualmente, com mais páginas e provedores aparentemente limitados por hora.

Fonte: Social Media Today e TechCrunch (onde também podem ser lidas várias reflexões e opiniões de críticos sobre a questão)

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